Segunda-feira, Março 12, 2007

Marshall Rosenberg e a Comunicação Não Violenta


Marshall Rosenberg nasceu em Detroit em 1934. Em 1961 obteve seu PHD em psicologia clínica pela Universidade de Wisconsin - Madison.
No começo dos anos sessenta, em sintonia com o movimento dos direitos civis americano, Rosenberg começou a trabalhar como orientador educacional em escolas e universidades que abandonavam a segregação racial, processo este que não pôde ser chamado de transição pacífica. Durante este período tenso, porém frutífero, Rosenberg providenciava arbitragem e treinamento em técnicas comunicativas. Foi neste pano de fundo que desenvolveu um método comunicativo chamado Comunicação Não Violenta.
A Comunicação Não Violenta é um processo que permite que as pessoas se comuniquem de forma eficaz e com soliedaridade e compaixão. Ela foca em expressar claramente sentimentos, necessidades e pedidos , numa linguagem que evite diagnósticos e rótulos. A intenção é falar o que se sente de verdade, evitando o uso do medo, da culpa, da vergonha, da coerção ou da ameaça. O ideal é atingir necessidades mútuas.Sentimentos e necessidades ao invés de julgamentos ou críticas.
Um exemplo dado pelo própio Rosemberg: "Vamos supor que uma mãe vai falar com o filho adolescente que deixou a sala uma bagunça. Um jeito não-violento de se expressar poderia ser o seguinte: “Roberto, quando vejo bolas de meia sujas na sala, fico irritada porque preciso de mais ordem no espaço que usamos em comum. Você poderia colocar as meias no seu quarto ou na lavadora?” Veja bem, a mãe poderia reagir de diversas maneiras: bufar, punir o filho. Mas quando pratica a comunicação não-violenta ela deixa claro o que observa, como se sente, qual necessidade não está sendo atendida. Pode ter certeza de que a chance de ser compreendida é maior"
Cito Rosenberg novamente : "Entendi que a grande falha da comunicação está justamente em apontar problemas nos outros – em vez de olhar o que eles causam em nós. A comunicação começa quando expressamos nossos sentimentos. Não fazemos isso porque achamos que ficamos vulneráveis. Mas só assim criamos um relacionamento baseado na sinceridade. A partir do momento que as pessoas falam o que precisam, em vez de falarem o que está errado com os outros, o entendimento aumenta."
Atualmente, Rosenberg viaja para mediar conflitos e levar programas de paz a regiões assoladas por guerras, como Sérvia -Croácia e Ruanda, mas o interessante é notar que sua estratégia serve também para apaziguar os combates verbais do nosso dia-a-dia.
Segundo Marshall Rosenberg, é na maneira como falamos e ouvimos os outros que está a chave para o problema das desavenças e discórdias. Pra mim, e para muitos talvez, esse garoto dos suburbios de Detroit que se escondia quando havia brigas de gangues, merecia um Nobel da Paz.

1 Comments:

Anonymous Ceres said...

Olá João...eu também acho que ele devia ganhar um Nobel da Paz...
Estou desenvolvendo meu trabalho de monografia nessa área - ou melhor vou desenvolver, pois por enquanto só existe o projeto pronto.
Assim, se vc tiver alguma sugestão e /ou indicação de bibliografia aceitarei com prazer...
Grande abraço!

2:42 PM  

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