quarta-feira, junho 23, 2010

A Cidade e as Serras



No seu último romance, A Cidade e as Serras, Eça de Queirós critica o progresso técnico, urgente e rápido, na virada do século 19 para o 20. Eça julgava, ao fim da vida, que o homem só era feliz longe da civilização. Por isso, a temática mais forte da obra é contra a ociosidade dos que têm dinheiro na cidade, e sua vida burguesa, ou seja, o acúmulo irrefletido de dinheiro.
Abaixo um trecho que li hoje não me sai da cabeça:

E ante estes clamores, lançados com afável malícia para espicaçar o meu Príncipe, ele murmurou, pensativo:
-Sim, é talvez tudo uma ilusão... E a Cidade a maior ilusão!
Tão facilmente vitorioso redobrei de facúndia. Certamente, meu Príncipe, uma Ilusão! E a mais amarga, porque o Homem pensa Ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria. Vê, Jacinto! Na Cidade perdeu ele a força e beleza harmoniosa do corpo, e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto, de ossos moles como trapos, de nervos trêmulos como arames, com cangalhas, com chinós, com dentaduras de chumbo, sem sangue, sem febra, sem viço, torto, corcunda – esse ser em que Deus, espantado, mal pode reconhecer o seu esbelto e rijo e nobre Adão! Na Cidade findou a sua liberdade moral; cada manhã ela lhe impõe uma necessidade, e cada necessidade o arremessa para uma dependência; pobre e subalterno, a sua vida é um constante solicitar, adular, vergar, rastejar, aturar; e rico e superior como um Jacinto, a Sociedade logo o enreda em tradições, preceitos, etiquetas, cerimônias, praxes, ritos, serviços mais disciplinares que os dum cárcere ou dum quartel... A sua tranqüilidade (bem tão alto que Deus com ele recompensa os Santos ) onde está, meu Jacinto? Sumida para sempre, nessa batalha desesperada pelo pão, ou pela fama, ou pelo poder, ou pelo gozo, ou pela fugida rodela de ouro! Alegria como a haverá na Cidade para esses milhões de seres que tumultuam na arquejante ocupação de desejar – e que, nunca fartando o desejo, incessantemente padecem de desilusão, desesperança ou derrota? Os sentimentos mais genuinamente humanos logo na Cidade se desumanizam! Vê, meu Jacinto! São como luzes que o áspero vento do viver social não deixa arder com serenidade e limpidez; e aqui abala e faz tremer; e além brutamente apaga; e adiante obriga a flamejar com desnaturada violência. As amizades nunca passam de alianças que o interesse, na hora inquieta da defesa ou na hora sôfrega do assalto, ata apressadamente com um cordel apressado, e que estalam ao menor embate da rivalidade ou do orgulho. E o Amor, na Cidade, meu gentil Jacinto? Considera esses vastos armazéns com espelhos, onde a nobre carne de Eva se vende, tarifada ao arrátel, como a de vaca! Contempla esse velho Deus do Himeneu, que circula trazendo em vez do ondeante facho da Paixão a apertada carteira do Dote! Espreita essa turba que foge dos largos caminhos assoalhados em que os Faunos amam as Ninfas na boa lei natural, e busca tristemente os recantos lôbregos de Sodoma ou de Lesbos!... Mas o que a cidade mais deteriora no homem é a Inteligência, porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância. Nesta densa e pairante camada de Idéias e Fórmulas que constitui a atmosfera mental das Cidades, o homem que a respira, nela envolto, só pensa todos os pensamentos já pensados, só exprime todas as expressões já exprimidas: - ou então, para se destacar na pardacenta e chata Rotina e trepar ao frágil andaime da gloríola, inventa num gemente esforço, inchando o crânio, uma novidade disforme que espante e que detenha a multidão como um monstrengo numa feira. Todos, intelectualmente, são carneiros, trilhando o mesmo trilho, balando o mesmo balido, com o focinho pendido para apoeira onde pisam, em fila, as pegadas pisadas; - e alguns são macacos, saltando no topo de mastros vistosos, com esgares e cabriolas. Assim, meu Jacinto, na Cidade, nesta criação tão antinatural onde o solo é de pau e feltro e alcatrão, e o carvão tapa o céu, e a gente vive acamada nos prédios como o paninho nas lojas, e a claridade vem pelos canos, e as mentiras se murmuram através de arames – o homem aparece como uma criatura anti-humana, sem beleza, sem força, sem liberdade, sem riso, sem sentimento, e trazendo em si um espírito que é passivo como um escravo ou impudente como um Histrião... E aqui tem o belo Jacinto o que é a bela Cidade!
E ante estas encanecidas e veneráveis invectivas, retumbadas pontualmente pôr todos os Moralistas bucólicos, desde Hesíodo, através dos séculos – o meu Príncipe vergou a nuca dócil, como se elas brotassem, inesperadas e frescas, duma Revelação superior, naqueles cimos de Montmartre:
-Sim, com efeito, a Cidade... É talvez uma ilusão perversa!
Insisti logo, com abundância, puxando os punhos, saboreando o meu fácil filosofar. E se ao menos essa ilusão da Cidade tornasse feliz a totalidade dos seres que a mantém... Mas não ! Só uma estreita e reluzente casta goza na Cidade os gozos especiais que ela cria. O resto, a escura, imensa plebe, só nela sofre, e com sofrimentos especiais que só nela existem! Deste terraço, junto a esta rica Basílica consagrada ao Coração que amou o Pobre e pôr ele sangrou, bem avistamos nós o lôbrego casario onde a plebe se curva sob esse antigo opróbrio de que nem Religiões, nem Filosofias, nem Morais, nem a sua própria força brutal a poderão jamais libertar! Aí jaz, espalhada pela Cidade, como esterco vil que fecunda a cidade. Os séculos rolam; e sempre imutáveis farrapos lhe cobrem o corpo, e sempre debaixo deles, através do longo dia, os homens labutarão e as mulheres chorarão. E com este labor e este pranto dos pobres, meu Príncipe, se edifica a abundância da Cidade! Ei-la agora coberta de moradas em que eles se não abrigam; armazenada de estofos, com que eles se não agasalham; abarrotada de alimentos, com que eles se não saciam! Para eles só a neve, quando a neve cai, e entorpece e sepulta as criancinhas aninhadas pelos bancos das praças ou sob os arcos das pontes de Paris... A neve cai, muda e branca na treva; as criancinhas gelam nos seus trapos; e a polícia, em torno, ronda atenta para que não seja perturbado o tépido sono daqueles que amam a neve, para patinar nos lagos do Bosque de Bolonha com peliças de três mil francos. Mas quê, meu Jacinto! a tua Civilização reclama insaciavelmente regalos e pompas, que só obterá, nesta amarga desarmonia social, se o Capital der Trabalho, pôr cada arquejante esforço, uma migalha ratinhada. Irremediável, é, pois, que incessantemente a plebe sirva, a plebe pene! A sua esfalfada miséria é a condição do esplendor sereno da Cidade. Se nas suas tigelas fumegasse a justa ração de caldo – não poderia aparecer nas baixelas de prata a luxuosa porção de foie-gras e túbaras que são o orgulho da Civilização. Há andrajos em trapeiras – para que as belas Madamas de Oriol, resplandecentes de sedas e rendas, subam em doce ondulação, a escadaria da Ópera. Há mãos regeladas que se estendem e beiços sumidos que agradecem o dom magnânimo dum sou - para que os Efrains tenham dez milhões no Banco de França, se aqueçam à chama rica da lenha aromática, e surtam de colares de safiras as suas concubinas, netas dos duques de Atenas. E um povo chora de fome, e da fome dos seus pequeninos – para que os Jacintos, em Janeiro, debiquem, bocejando, sobre pratos de Saxe, morangos gelados em Champanhe e avivados dum fio de éter!
-E eu comi dos teus morangos, Jacinto! Miseráveis, tu e eu!
Ele murmurou, desolado:
-É horrível, comemos desses morangos... E talvez pôr uma ilusão!

quarta-feira, agosto 26, 2009

Beijar de leve a face da lua


Quero
(Thomas Roth)
quero ver o sol atrás do muro
quero um refúgio que seja seguro
uma nuvem branca sem pó, nem fumaça
quero um mundo feito sem porta ouvidraça

quero uma estrada que leve à verdade
quero a floresta em lugar da cidade
uma estrela pura de ar respirável
quero um lago limpo de água potável
quero voar de mãos dadas com você
ganhar o espaço em bolhas de sabão
escorregar pelas cachoeiras
pintar o mundo de arco-íris

quero rodar nas asas do girassol
fazer cristais com gotas de orvalho
cobrir de flores campos de aço
beijar de leve a face da lua
A bela foto é de Isabela Vistue que tirei do flickr.

quarta-feira, maio 27, 2009

Vibrações em Vermelho - 2002




Artista plástico Arcangelo Ianelli morreu aos 86 anos em São Paulo nesta terça-feira

quarta-feira, abril 01, 2009

Encontro do G20 - 01/04/2009


Gostaria que Milton Friedman estivesse vivo para explicar isso

terça-feira, janeiro 27, 2009

NEMO. De 75 a 87 o Estúdio de Vangelis






Em 1975, depois de fazer sucesso na Paris do final dos anos 60, como tecladista da banda psicodélica de Demis Roussos (Afrodite's Child) Vangelis resolveu partir para carreira solo.
Fixou-se em Londres e comprou um estúdio numa cobertura de 500 m2 , perto do Hyde Park . Este estúdio que ele chamou de NEMO, viria a ser sua casa e foi nele que surgiram as trilhas de Carruagens de Fogo e Blade Runner, obras primas.
O lugar era fantástico. Milhares de equipamentos, sintethizadores Yamaha CS80, KORG, caixas de som , sofás, carpetes, manequins de mulheres fatais , cavalos dourados em tamanho real, brinquedos, bichos de pelúcia, móbiles de gaivotas, esculturas, estátuas de Euterpe (deusa da música), plantas e até telefones de neon.
Vangelis precisava de espaço para criar. Sua música, antes de ser música ou melodia é som. Sensações e cores de um mundo não material que ele desvenda descortinando um código que está através do som.Instintivo, Vangelis toca de ouvido. Nunca aprendeu música formalmente nem escrever, apesar de compor desde os 6 anos de idade.Vangelis é como uma ponte direta da imaginação, sem barreiras.
Reservado e avesso a badalações, ele mencionava depois do sucesso de Blade Runner:
"Vivo com medo constante de que tenha valores sociais demais, cuja criatividade não os contém.Os valores da criatividade são completamente diferentes dos valores sociais. Criar vem primeiro, depois a análise e depois a avaliação. Se colocar a avaliação primeiro, mata-se a criação. A criação é completamente imprevisivel e livre ,..."
Para matar as saudades, é só digitar vangelis no You tube.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Para pensar...



O Economista E.F.Schumacher dizia que havia três grandes culpados pela recusa do homem atual (pós-moderno) em reconhecer sua responsabilidade individual, dada uma situação qualquer.
Seu trio diabólico era: Freud, Marx e Einstein.
Freud, ele dizia, com sua descoberta de que a percepção era sujeita e interação entre Ego e Id e seus respectivos imperativos sexuais acabou tornando a percepção egoísta e centrada em si-mesmo.O que, segundo ele, levou a atitudes em que auto-realização tornou-se mais importante do que as necessidades dos outros no campo das relações humanas.
Marx e sua ira e acusação contra a Burguesia por ser a culpada única da exploração do Proletariado, levou então à substituição da responsabilidade individual pela adoção cultura do ódio e da acusação do outro.
A adoção da teoria da Relatividade de Einstein no campo da Moral e das Ciências Humanas acabou por dissolver o Absoluto, a busca pela Verdade, pelo Correto , Belo e pela própria Moral (que não fosse a pessoal e subjetiva).
Instintivamente não consigo concordar com Schumacher, porém cada vez mais, sua teoria me parece fazer todo o sentido.

sábado, agosto 16, 2008

Marcos Valle - Selva de Pedra

Acho Marcos Valle o cara mais bacana do mundo!

sexta-feira, agosto 08, 2008

Mantiqueira


Um lugar assim abre a cabeça!
A foto maravilhosa é de Ian Pozzobon Copyright © 2008. All rights reserved. www.flickr.com

“A arquitetura atual não segue a função nem estilos históricos; é monetarista, interessada em status”


Este senhor teve escritório por mais de 30 anos no prédio onde por acaso também trabalho. Às vezes o cumprimentava no Elevador. Sabia, é claro, que se tratava de uma das poucas figuras vivas do racionalismo construtivo da Arquitetura Moderna Paulista que teve em Vilanova Artigas seu maior mentor.
Figura austera, espírito altamente crítico, de idéias muito objetivas sobre quase tudo, Joaquim Guedes não perdera seus ideais considerados às vezes um tanto intransigentes. "Na dúvida, optava sempre pela polêmica", menciona o neto Bruno na Folha. Era demolidor em suas críticas, impetuoso, como lembra a família. Defendia suas fortes opiniões mesmo com o passar dos anos. "Ele se sentia como se tivesse 30 anos. Morreu precoce mesmo aos 76."
Arquiteto e doutor em planejamento urbano Joaquim Guedes foi autor de mais de 500 projetos, inclusive de várias cidades, como Caraíba (BA), Carajás (PA), Marabá (PA) e Barcarena (PA). Projetou também belas casas modernas como se pode conferir no site do Vitruvius (www.vitruvius.com.br ) ou no livro da Monica Junqueira editado pela Cosac Naify http://www.cosacnaify.com.br/loja/detalhes.asp?codigo_produto=10&language=pt.
Tamanha foi minha revolta em saber que Guedes, um senhor de 76 anos, tinha sido atropelado e morto às 20hs de um domingo, atravessando a Nove de Julho. Testemunhas mencionam que foi uma Pajero prata, que fugiu em alta velocidade sem prestar socorro. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2907200819.htm
Pra mim tem gosto de mais um (dos muitos) absurdos da nossa risonha pós-modernidade brasileira: Urbanista morrer atropelado.
A frase título desse post pertence à Joaquim Guedes.

quinta-feira, julho 17, 2008

Tempo de sobra


Jason Taylor - Granada

domingo, junho 29, 2008

Ela


Ela
Eu vivo o tempo todo com ela
Ela
Eu vivo o tempo todo pra ela
Minha música
Musa única, mulher
Mãe dos meus filhos,
ilhas de amor
Cada ilha, um farol
No mar da procela, ela
Ela
Ela que me faz um navegador
Sobretudo ela
Ela que me faz um navegador


Ela
Gilberto Gil 1975, Refazenda

Um minuto de Silêncio...


Pois, não se sabe ainda o quanto se perdeu com a morte dessa mulher.

sábado, junho 28, 2008

Competição Imperfeita

As leis do Amor funcionam como quaisquer outras leis da Economia de Mercado; com base na livre-iniciativa.
Porém neste mercado particular, a diferença está no grau extremo de subjetividade no uso, por parte dos agentes, de alguns conceitos avançados da Economia Aplicada como; Racionalidade Ecônomica, Utilitarismo e Análise do Custo de Oportunidade. As causas possíveis dessa falha econômica talvez possam ser explicadas pela assimetria da informação, Incerteza, incapacidade de prever cenários futuros, pela Curva da Indiferença atual, ou por qualquer dilema perfeito para fonte de estudo da Teoria dos Jogos.
Mas o fato mesmo, é que o Amor sempre foi um bem escasso. E que essa escassez contribui, em muito, com a distorção entre o preço de mercado e o valor real dos ativos.
Então aceite o amor onde quer que o encontre. Se for dentro de você, então, melhor.

terça-feira, outubro 16, 2007

Snow Patrol - Open Your Eyes (UK version)

Adoro esse clipe. Amo essa música.

sábado, outubro 13, 2007

Eyes on Darfur



Mais de 200 mil pessoas já morreram e 2 milhões foram expulsas de suas casas desde 2003 no conflito de Darfur no oeste do Sudão.
O conflito opõe principalmente os janjawid - milicianos recrutados entre os baggara, tribos nômades africanas de língua árabe e religião muçulmana - e os povos não-árabes da área. O governo sudanês, embora negue publicamente que apóia os janjawid, tem fornecido armas e assistência e tem participado de ataques conjuntos com este grupo miliciano.
Em julho e agosto de 2006, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 1706, que prevê o envio de uma nova força de manutenção da paz da ONU, composta de 20 000 homens, para substituir as tropas da União Africana presentes no local, que contam com 7 000 soldados. O Sudão opôs-se à Resolução e, no dia seguinte, lançou uma grande ofensiva na região.
Ban-Ki-Moon declarou que este conflito também possui causas mais complexas:
...Diferentemente da Segunda Guerra Civil Sudanesa, que opôs o norte muçulmano ao sul cristão e animista, em Darfur não se trata de um conflito entre muçulmanos e não muçulmanos pois a maioria da população é muçulmana, inclusive os janjawid.
Falamos sempre de Darfur utilizando uma cômoda linguagem política e militar, descrevendo-o como um conflito étnico que opõe milícias árabes a rebeldes e agricultores negros. Mas, ao nos debruçarmos sobre as raízes desse conflito, vemos uma dinâmica mais complexa. Além das causas sociais e políticas, ele se iniciou como uma crise ecológica, provocada, em parte, por uma alteração climática.
Há duas décadas, as chuvas começaram a se tornar raras no sul do Sudão. Os cientistas pensaram que se tratava de um capricho da natureza.
Pesquisas posteriores mostraram que esse fenômeno coincidiu com um aumento da temperatura das águas do oceano Índico que perturba a estação das monções. Isso leva a pensar que a seca na África subsaariana se deve, pelo menos em parte, ao aquecimento do planeta provocado pelo homem.
Não foi por acaso que a violência deflagrou em plena seca. Um artigo recente de Stephan Paris, publicado na "Atlantic Monthly", descreve o caloroso acolhimento que os agricultores negros dispensavam aos pastores quando estes atravessavam suas terras, onde seus camelos pastavam e cujos poços partilhavam. Mas, quando deixou de chover, os agricultores ergueram barreiras, com medo de que suas terras fossem destruídas pelos rebanhos. Pela primeira vez, não houve água nem alimento para todos. E eclodiram os combates que, em 2003, se transformaram em tragédia...

A Anistia Internacional lançou em 6 de Junho, o site «Eyes on Darfur». Seu intuito é publicar fotografias via satélite das atrocidades cometidas na região Oeste do Sudão.
As fotos são uma maneira de documentar crimes negados pelo Governo sudanês. Os observadores poderão então "vigiar" 12 aldeias altamente vulneráveis do Darfur que ainda estão intactas.
O conflito de Darfur demonstra que o mundo precisa urgente de novos instrumentos políticos para solucionar problemas cada vez mais intrincados.

Fonte: http://www.eyesondarfur.org/
http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=362578
http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2007/06/06/ult729u68034.jhtm

La Binoche



A evolução humana parou aí. Não acho que consiga produzir algo mais bonito.
E esses olhos sonhadores, são de uma mulher-amor.

Meu Avô



Meu avô paterno já não está mais nesse mundo. Desde que ele se foi queria publicar um post sobre ele. Mas tinha perdido essa foto. Não sei como, anteontem, achei essa foto num email que enviei.
Meu avô se chamava Alberto (que é o mesmo nome de meu pai e também meu segundo nome). Era uma pessoa muito bacana, bem humorada, livre, sonhador e não esquentava a cabeça. Entendia de tudo um pouco, era meio inventor, foi mecânico de automóveis no Brás nos anos 40/50, foi motorista de caminhão, trabalhou com terraplanagem no sul e acho que trabalhou também com construção civil.Era filho de português e fazia muita piada de português.Não tinha muito estudo formal mas lembro da caligrafia muito bonita que ele tinha, tipo coisa do século retrasado.
Acho que essa foto bonita representa muito ele. Tirei-a um ano antes de ele ir.
Tenho certeza que ele está muito bem, alegre e em paz.

sexta-feira, outubro 12, 2007

6 Trechos de Guy Debord e 1 de Feuerbach



1-Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação.
2-As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente reflete em sua própria unidade geral um pseudo mundo à parte, objeto de pura contemplação. A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem autonomizada, onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.
3-O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência. Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza não é outra coisa senão a linguagem oficial da separação generalizada.
4-O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens.
5-O espetáculo não pode ser compreendido como abuso do mundo da visão ou produto de técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é a expressão de uma Weltanschauung, materialmente traduzida. É uma visão cristalizada do mundo.
6-O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um complemento ao mundo real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares de informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto do entretenimento, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e no seu corolário -- o consumo. A forma e o conteúdo do espetáculo são a justificação total das condições e dos fins do sistema existente. O espetáculo é também a presença permanente desta justificação, enquanto ocupação principal do tempo vivido fora da produção moderna.


Guy Debord - A Sociedade do Espetáculo

Nosso tempo, sem dúvida . . . prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser. . . O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.

Feuerbach - Prefácio à segunda edição de A Essência do Cristianismo


Só para limpar a mente.

Fonte:http://www.geocities.com/projetoperiferia4/se.htm
Foto:http://www.eventnetwork.org.uk/programme/screenings/117

Que barato essa letra...


Eu tava encostado ali minha guitarra
No quadrado branco vídeo papelão
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais que coisa à toa, boa boa boa boa boa
Eu tava com graça...
Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na bahia
No Beaubourg no Bronx, no Brás e eu e eu e eu e eu
A me perguntar: Eu sou neguinha?
Era uma mensagem lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia
Eu me perguntava: era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, pare, contramão
E era uma alegria, era uma esperança
E era dança e dança ou não ou não ou não ou não ou não tava perguntando:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu tava rezando ali completamente
Um crente, uma lente, era uma visão
Totalmente terceiro sexo totalmente terceiro mundo terceiro milênio carne nua nua nua nua nua nua nua
Era tão gozado
Era um trio elétrico, era fantasia
Escola de samba na televisão
Cruz no fim do túnel, becos sem saída
E eu era a saída, melodia, meio-dia dia dia
Era o que dizia: Eu sou neguinha?
Mas via outras coisas: via o moço forte
E a mulher macia den'da escuridão
Via o que é visível, via o que não via
O que a poesia e a profecia não vêem mas vêem, vêem, vêem, vêem, vêem,
É o que parecia
Que as coisas conversam coisas surpreendentes
Fatalmente erram, acham solução
E que o mesmo signo que eu tenho ler e ser
É apenas um possível ou impossível em mim em mim em mil em mil em mil
E a pergunta vinha:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?


Eu sou neguinha?
Caetano Veloso

Fonte: A foto maravilhosa, diga-se de passagem, é de ccarriconde (Cris).Peguei no flickr.www.flickr.com

A Murdochização da Mídia Global



Em economia, especialmente no Varejo, escuta-se falar há algum tempo de um fenômeno chamado "Wal-martização" da economia global. O cerne do capitalismo é a busca pelo lucro, mas a globalização monopolista tornou esse apetite um pouco sádico, auto-fágico demais talvez. A obsessão desenfreada pelo corte de custos vem há algum tempo gerando efeitos colaterais na esfera particular da vida humana chamada trabalho.E é infinita a criatividade dos seus efeitos alienantes. No caso do Wal mart e de grande parte da economia americana e mundial que o segue, isso significa: menores salários, mais horas de trabalho não regulamentadas, emprego de imigrantes ilegais, menos assistência social e menor poder dos sindicatos. É o desmonte do estado do bem estar social, provavelmente o melhor sistema que história humana já produziu.
O mesmo processo ocorre é claro, no mundo da mídia global.Porém num nível muito mais perverso. Não se corrói só os valores dos salários ou o poder de negociação dos funcionários, corróem-se os fatos, o caráter dos fatos.
Em 31 de julho passado, venceu uma vez mais a banalização, a vulgarização, o escândalo, o sensacionalismo e a ideologia medíocre do lucro rápido à qualquer custo. Perderam os valores éticos, o padrão editorial e a isenção entre poder e a mídia. Foi o dia da compra por US$5.6 bi do Wall Street Journal, o maior jornal de finanças e economia do mundo.
Rupert Murdoch, australiano dono da News Corp, foi o comprador.Dono da Fox(não custa lembrar-se do papel dos noticiários desta emissora na "confusa" apuração da re-eleição de George W. Bush), da National Geographic, e do principal(leia-se mais vulgar) tablóide inglês The Sun.
Murdoch molda livremente o futuro do que chama de Nova Comunicação Global, criticando, por exemplo, o padrão da BBC que considerou possuir um viés demasiado à esquerda na sua cobertura do desastre do furacâo Katrina em Nova Orleans.
Em agosto o jornal inglês The Observer entrevistou nova-iorquinos sobre a nova aquisição de Murdoch. Cito um deles, um senhor aposentado chamado Norm Zinger,65 :"Eu nunca partilhei da visão política da seção editorial do WSJ(tradicionalmente conservadora).É demasiado à direita de onde me encontro.Dito isso eu acredito que as máterias e reportagens do WSJ são o que há de melhor disponível e em 20 anos nunca atentaram mudar minha visão. Meu medo é que as linhas entre as páginas editoriais e a das reportagens se torne demasiado borrada'.
Seria bom lembrar disso quando se assiste um episódio dos Simpsons.

Fonte: A imagem veio do blog: http://innercontinental.wordpress.com/2007/05/24/true-green/

sexta-feira, setembro 07, 2007

奥入瀬川 - Vale do Rio Oirase



No norte da ilha de Honshu localiza-se este rio especialmente belo no outono.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Noite



Um viajante chega à noite numa cidadezinha escura e deserta. Na cabeça não há mitos.Nem medo.Nem saudades.Nada importa pois ele não irá ficar muito e se esquecerá dela.
Pequenas e frágeis descobertas sobre si próprio são assim.

sexta-feira, julho 20, 2007

Des-semantização diária e saudável

Desconfiar das idéias recebidas é muito mais difícil do que se julga, porque as idéias que parecem as mais modernas, aquelas que mobilizam instantaneamente toda uma comunidade, os seus mídias e as suas conversas, são quase sempre idéias convencionadas. Para que uma idéia circule é preciso que seja polida; para que adquira uma superfície lisa que lhe permita circular, são sempre necessários alguns anos. Eis porque as idéias que circulam são a maior parte das vezes espantosamente velhas. Aquele que procura o que é novo fica assim sempre sozinho.(Michel Serres)

Fonte:www.michelserres.com

sexta-feira, julho 13, 2007

Sessão Encheção

Amanhã, vou me embora de São Paulo.
Para ficar fora mais um período de 4-5 mêses.
Privado de novo da companhia de parentes, pessoas queridas e longas conversas com amigos. Dos filmes do circuito cult da Paulista, da livraria Cultura no Conjunto Nacional, do bilharzinho na Pompéia, de correr a volta externa do parque do Ibirapuera, da feirinha e das cantinas do Bexiga e do bistrô francês no Arouche.
Meu desapego forçado é tão grande que já nem sei se sinto mais nada.
...Lá mesmo esqueci
que o destino
sempre me quis só
no deserto sem saudade, sem remorso, só
sem amarras, barco embriagado ao mar...

quinta-feira, junho 21, 2007

The Cure-Just Like Heaven

quarta-feira, junho 06, 2007

Quando eu escuto o início dessa música numa festa, danceteria ou no rádio minha espinha gela. Bateria, baixo e guitarra base, entram nessa ordem e Roger O'Donnell manda um solo de teclado que me para o coração. Durante um segundo, enxergo o mundo do mesmo modo que enxergava em 1987. E me dá uma angustia boa... e me lembro que nem tudo o que eu queria naquela época eu consegui ser hoje.
Mas tudo bem. Porque nessa hora o Robert Smith já está dizendo : “I”ll promise you, I’ll promise you, i”ll runaway with you”
Que música bonita.

domingo, junho 03, 2007

Grotta Azzurra


Do outro lado do golfo de Nápoles, na ponta noroeste de Capri, encontra-se esta gruta parcialmente submersa que já foi usada por imperadores romanos como um lago para banhos particular.
O fundo em calcario, e um jogo natural de luzes numa outra abertura (completamente submersa) forma um efeito de iluminação suigênere, do fundo para a superfície, maravilhando o visitante com um azul intenso e fluorescente.
Passagens subterraneas secretas ligam-na à catacumbas romanas no interior da ilha de Capri.

sábado, junho 02, 2007

As boas mulheres da China


Com 1.3 bilhões de pessoas e crescendo por quase 10 anos a uma taxa de 10% ao ano,- só em 2006 o PIB nominal foi de 2,6 trilhões de dólares, abaixo apenas da Alemanha, Japão e Estados Unidos (e considerando-se o PIB por paridade do poder de compra, a China fica abaixo apenas dos Estados Unidos)- A China é hoje a locomotiva mais assustadora das superpotências econômicas do mundo. As forças resultantes de seu crescimento de poder afetarão o cenário político, econômico e cultural mundial, muito além do que se é percebido hoje.
O Ocidente, entretanto, desconhece a brutal transformação por que passa a sociedade chinesa de hoje.
Historicamente rural por milênios, a China atravessa hoje uma revolução industrial, tecnológica e urbana de caráter inimaginável há apenas 2 décadas. As tensões sociais que as disparidades econômicas tem gerado não são pequenas. A angustiante dualidade de coexistência entre os valores tradicionais e a influência do modo de vida ocidental também contribuem.
Em particular, a questão da Mulher na China, apontada por organismos internacionais, serve como importante termômetro da situação.
Segundo a Organização Mundial da Saúde a China é o único lugar do mundo onde as taxas de suicídio femininas são maiores do que as masculinas. São aproximadamente 150 mil por ano, e 1,5 milhões de tentativas. O suicídio já é a maior causa de morte na faixa dos 30 anos. A violência e humilhação presente
no casamento tradicional chinês é a principal raiz do fenômeno (é parte da tradição que ao se casar a mulher se mude para a casa da família do marido deixando sua própria família para trás). A diferença é que hoje, sobra ainda, por menor que seja, um vislumbre de melhoria de vida e da condição da mulher nas grandes cidades, o que aumenta a frustração a ansiedade e a sensação de imobilidade e prisão. Não existem, para as mulheres na China, mecanismos que permitam uma saída fácil de um casamento infeliz. O suicídio vira então um ato de protesto.
A perspectiva de futuro da Mulher na sociedade chinesa também é outro aspecto horrível do problema. Ela está desaparecendo. Hoje, já são 118 nascimentos de meninos para cada 100 de meninas. Nas salas de aula não é raro ver uma menina para cada 4 meninos. Em menor número e sozinhas elas adquirem as características agressivas dos meninos. O déficit de mulheres na China pode chegar em 2020 à 40 milhões. As causas derivam do infanticídio das meninas (prática que também ressurgiu nos últimos tempos). Por medo do quase inexistente sistema previdenciário os pais querem filhos homens para que possam garantir sua velhice. As conseqüências deste processo são igualmente nefastas. Nas grandes cidades já é difícil para os trabalhadores jovens conseguirem arrumar esposas. Crimes que o comunismo chinês tinha conseguido diminuir mas não extinguir (ou talvez esconder), se tornaram ainda mais freqüentes na nova China; abdução e tráfico de mulheres, casamentos arranjados, prostituição e estupro.
A abertura econômica agravou as conseqüências sociais sérias para as mulheres da China de hoje. Para as raras privilegiadas que conseguiram estudar e ter acesso à informação e melhores salários, o novo capitalismo chinês tem aberto mais portas do que nunca. Entretanto, para a maioria das mulheres pobres, os ganhos de igualdade e respeito alcançados pós 1949 na revolução comunista, parecem escorregar por entre seus dedos.
Espera-se apenas que este processo todo não se trate de uma estratégia
.
Fonte: Reportagens da BBC "Tradition weigh on China's women" e "New Women, old problems" www.bbc.co.uk Idem para a foto. O título é do excelente livro de Xinran Xue.

sexta-feira, junho 01, 2007

Sessão: Pensando na vida


A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha
Flor da Idade
Chico Buarque de Holanda
Fonte: Não sei. A foto é da Folha de S.Paulo de ontem. Achei bonita a moça.

quarta-feira, maio 30, 2007

Sessão Vampirão

Se queres sentir a felicidade de amar, esqueça a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não na outra alma. Só em Deus - ou fora do mundo.As almas são incomunicáveis.
Deixa o seu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não

Manuel Bandeira
em: a Arte de Amar

Fonte: Recebi hoje de uma grande amiga, obrigado Bá.

quarta-feira, maio 23, 2007

Dead Can Dance - Rakim

Do album : Toward the within. Pra quem gosta de música etérea e atemporal

sábado, maio 05, 2007

...


Sem adeus,
sem ter que dissipar as ilusões
Sem ter que dar satisfações em vão
Sobre as coisas do coração
Sem Juízo, em busca mesmo do que preciso
Que é seu corpo junto ao meu e só
Sem mais receio de dar nó
Já não penso mais em nada
Só na minha namorada
Como é bom saber você dentro de mim
Topo tudo que é parada
A cidade iluminada
Quero ver você sorrir, linda e feliz!
Sem adeus, sem ter que dissipar as ilusões
Sem ter que dar satisfações em vão
Sobre as coisas do coração
Sem Juízo, em busca mesmo do que preciso
Que é seu corpo junto ao meu e só
Sem mais receio de dar nó
Já não penso mais em nada
A não ser na minha amada
Como é bom saber você dentro de mim
Topo tudo que é parada
A cidade iluminadaQuero ver você sorrir, linda e feliz
Fonte: A maravilhosa foto de Ipanema, à tarde, Morro dos Dois Irmãos ao fundo é de Leninha F's e veio, pra variar, do flickr www.flickr.com . A letra de Sem Adeus é de Angela Rorô e Ricardo Maccord.

terça-feira, março 20, 2007

Hole in the Rock


Alguns milênios de vento e ondas formaram na rocha essa abertura de 60 metros de altura localizada no extremo norte da Nova Zelândia, na Baía das Ilhas, Auckland.
Seu nome na língua Maori é Motukokako.

sexta-feira, março 16, 2007

Foto Ultravioleta do Sol



Essa veio do blog de um grande amigo meu, o Paulão Maia.
Visitem: http://strbman.blogspot.com/

quinta-feira, março 15, 2007

Pudim Arte Brasileira

2 Xícaras de olhar retrospectivo
3 Xícaras de ideologia
1 Colher, de sopa, de Ècole de Paris
1 Lata de definição temática, gelada e sem sôro
1 Pitada de exarcebação de cor
1 Índio, pequeno, ralado
Com o olhar retrospectivo e a ideologia prepare uma calda e quando grossa junte-lhe a Ècole de Paris, sem mexer. em repouso, bata um pouco a definição teática, junte-aos demais ingredientes e leve ao fogo em banho-maria em forma caramelada.
Cobertura para a Arte Brasileira
Misture 1.1/2 Xicara de função social com 5 colheres, de sopa, de vitalidade formal e leve ao fogo brando até dourar; retire do fogo, junte mais 2 colheres, de sopa, de jogos mercadológicos e sacuda um pouco a frigideira para misturar muito bem; não se deve mexer c/ a colher.
Deixe esfriar, cubra o pudim e sirva gelado.

Regina Silveira
Publicado em: Revista Qorpo Estranho, 1977

terça-feira, março 13, 2007

J. S. Bach: BWV 1007

Diferentemente das sonatas para violino, nenhuma partitura original das suítes para violoncelo de 1720-21 foi encontrada assinada por Bach. Desta obra –prima para o cello, segue como prova autêntica, apenas um manuscrito copiado por Anna Magdalena Bach Wilken, segunda esposa, com quem Bach teve um casamento feliz e treze filhos. Anna Magdalena, era filha de organista e uma excelente soprano que Bach dirigiu algumas vezes no Coral de Cothen. É sabido que Anna Magdalena transcrevia partituras para Bach e é tida correta sua participação na escrita da Ária de Variações Goldberg BWV 988. Especulações recentes, que ainda não foram levadas à sério pela intelligentsia da música clássica, atribuem à ela a escrita das 6 suítes para Cello.
Para mim me conforta pensar que esta suíte gentil e sofisticada, que mais me parece descrever uma corte, uma sedução, ou ainda uma relação sexual, só pode ter sido mesmo escrita por uma mulher.

A versão anexa transcrita para o violão, é interpretada por Peo Kindgren. É a que me parece mais adequada para esta tarde, mas obviamente não se compara a original. Caso não a conheçam, recomendo.

segunda-feira, março 12, 2007

Marshall Rosenberg e a Comunicação Não Violenta


Marshall Rosenberg nasceu em Detroit em 1934. Em 1961 obteve seu PHD em psicologia clínica pela Universidade de Wisconsin - Madison.
No começo dos anos sessenta, em sintonia com o movimento dos direitos civis americano, Rosenberg começou a trabalhar como orientador educacional em escolas e universidades que abandonavam a segregação racial, processo este que não pôde ser chamado de transição pacífica. Durante este período tenso, porém frutífero, Rosenberg providenciava arbitragem e treinamento em técnicas comunicativas. Foi neste pano de fundo que desenvolveu um método comunicativo chamado Comunicação Não Violenta.
A Comunicação Não Violenta é um processo que permite que as pessoas se comuniquem de forma eficaz e com soliedaridade e compaixão. Ela foca em expressar claramente sentimentos, necessidades e pedidos , numa linguagem que evite diagnósticos e rótulos. A intenção é falar o que se sente de verdade, evitando o uso do medo, da culpa, da vergonha, da coerção ou da ameaça. O ideal é atingir necessidades mútuas.Sentimentos e necessidades ao invés de julgamentos ou críticas.
Um exemplo dado pelo própio Rosemberg: "Vamos supor que uma mãe vai falar com o filho adolescente que deixou a sala uma bagunça. Um jeito não-violento de se expressar poderia ser o seguinte: “Roberto, quando vejo bolas de meia sujas na sala, fico irritada porque preciso de mais ordem no espaço que usamos em comum. Você poderia colocar as meias no seu quarto ou na lavadora?” Veja bem, a mãe poderia reagir de diversas maneiras: bufar, punir o filho. Mas quando pratica a comunicação não-violenta ela deixa claro o que observa, como se sente, qual necessidade não está sendo atendida. Pode ter certeza de que a chance de ser compreendida é maior"
Cito Rosenberg novamente : "Entendi que a grande falha da comunicação está justamente em apontar problemas nos outros – em vez de olhar o que eles causam em nós. A comunicação começa quando expressamos nossos sentimentos. Não fazemos isso porque achamos que ficamos vulneráveis. Mas só assim criamos um relacionamento baseado na sinceridade. A partir do momento que as pessoas falam o que precisam, em vez de falarem o que está errado com os outros, o entendimento aumenta."
Atualmente, Rosenberg viaja para mediar conflitos e levar programas de paz a regiões assoladas por guerras, como Sérvia -Croácia e Ruanda, mas o interessante é notar que sua estratégia serve também para apaziguar os combates verbais do nosso dia-a-dia.
Segundo Marshall Rosenberg, é na maneira como falamos e ouvimos os outros que está a chave para o problema das desavenças e discórdias. Pra mim, e para muitos talvez, esse garoto dos suburbios de Detroit que se escondia quando havia brigas de gangues, merecia um Nobel da Paz.

sexta-feira, março 09, 2007

Alice Brill


"Está em processo de catalogação pelo Instituto Moreira Salles os 14 mil negativos do acervo particualar da fotógrafa alemã, atualmente com 86 anos, produzidos entre 1948 e 1960. São retratos espontâneos e muitas vezes doces de famílias e crianças, além de personalidades do mundo artístico com quem conviveu ao exercer a pintura, outra forma de expressão sua, como os do grupo Santa Helena. Documentou também os índios do Xingu, ao acompanhar a Expedição Roncador-Xingu, e o trabalho desenvolvido com os internos do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, em São Paulo. Produziu ainda importante registro da cidade de São Paulo, por ocasião de seu Quarto Centenário, e de Ouro Preto e Salvador, entre outras.
Filha do artista plástico alemão Erich Brill, morto prematuramente em campo de concentração na 2.ª Guerra Mundial, e da jornalista Marte Brill, autora do livro "Schmelztiegel", sobre a saga que a trouxe ao Brasil - tardiamente publicado na Alemanha em 2002 -, Alice migrou para o Brasil em 1934 com sua mãe, aos 13 anos, para escapar do nazismo.
Decidida a abraçar o ofício paterno, já em 1940 passou a freqüentar o Grupo Santa Helena. Em seguida, com bolsa de estudos, cursou desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, história da arte, literatura e filosofia nos EUA. Entre seus mestres no Brasil, estão Paulo Rossi Ozir e Aldo Bonadei, do Santa Helena, Yolanda Mohaly, Poty e Hansen Bahia. Sua longa carreira resultou em mais de cem exposições individuais e coletivas (como a I Bienal de São Paulo em 1949) no Brasil e Exterior. E mais de 10 importantes prê-mios.
A artista também foi fundadora do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), do Clube dos Artistas e Amigos da Arte de São Paulo, da Associação Brasileira de Pesquisadores em Arte. Formada em Filosofia Pura pela PUC/SP em 1975, fez mestrado e doutorado em Estética na USP. Publicou três livros: "Mário Zanini e seu Tempo" baseado no mestrado (Ed. Perspectiva, 1984), "Da Arte e da Linguagem" (Ed. Perspectiva, 1988) e "Flexor" (1990), além do capítulo sobre Artes Plásticas em "O Expressionismo" (org. Jacó Guinsburg, Ed. Perspectiva, 2002). A tese de doutorado "Viagens Imaginárias - transformação de uma técnica milenar em linguagem contemporânea", sobre o batik(pintura em tecido de origem javanesa), permanece inédita."

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Catarse


Te dei a minha vida
E uma parte do meu coração
Esquece as nossas dívidas
Bom caminho na liberdade
Bom caminho na prisão
Te dei a minha vida
E uma parte do meu coração
Esquece as nossas dúvidas
Bom caminho na liberdade
Bom caminho na prisão
Quando um sentimento voa
Bate as asas algo de bom... algo de bom
Sentimento alado,Choro chorado...
Pare de reclamar da vida
Não adianta se você fez o que fez
Não adianta achar a chave da partida
Se você não está disposto a correr
Riscos...
Apagou da minha vida...
Em minha poesia já não tem mais
Já não tem seu nome... seu nome
É... acabou, já foi...já foi
Eu não quero estar só
Mas já estou
Iéiéié é, é... acabou
Chegou ao fim...
Se eu não quero acreditar
A dor me faz despertar...
despertar... despertar...
despertar... despertar...
Iéiéié é, é... acabou
Chegou ao fim...
Se eu não quero acreditar
A dor me faz...
Despertar... despertar...
despertar... despertar...
Despertar ...

Já Foi
Cidade Negra
Foto By Vlad Najin

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

And ready to be discovered...


"... God bless Mother Nature, shes a single woman too..."
Fonte: Weather Girls (letra) e Wikipedia

terça-feira, janeiro 30, 2007

Sessão: de volta a SP


Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor
Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero gosto sincero de amor
Fique mais
Que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem
Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Eu sou de paz, eu sou do bem, mas...
Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Mas não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só

Não me deixe só
Vanessa da Mata


Fonte: Flickr! www.flickr.com Foto by Zoubys

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Minas é um outro estado de espírito


É. E amanhã me despeço dessa terra de gente e lugares bonitos...
Fonte: Flickr www.flickr.com Foto by Nil!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Vamos celebrar a estupidez humana...


Falamos aqui de coisas que todo mundo sabe.
A engenharia civil brasileira, sua expertise na utilização do concreto, em obras de arte e infraestrutura, não deve nada para as melhores do mundo.
O Consórcio executor das obras do metrô é formado pelas maiores construtoras do Brasil.
O Corpo técnico do Metrô paulista compõem-se e contrata especialistas para a execução do projeto e especificações.
Entretanto nada disso pôde, quis ou conseguiu se contrapôr à uma lógica dominante. A lógica dominante tem seu própio ritmo. A lógica dominante tem suas próprias formas de contratos e sub-contratos, é irresponsável e dilui responsabilidades. A lógica dominante nem sempre reúne condições para a escolha da boa-técnica da engenharia, apesar de travestir-se numa roupagem altamente tecnológica, distante, superior e burocrata.
A lógica dominante exige, obviamente, os menores prazos conjugados com os menores custos, nem sempre permitindo que haja o tempo da revisão de propostas, das análises mais profundas, da reflexão, ou da adoção das mesmas.
A lógica dominante não tem nada a ver com as pessoas, usuários ou cidadãos. Ela não processa essas informações. A lógica dominante não é Paulista ou Brasileira ela é subproduto de um modelo de pensamento global. Mas em geral no Brasil e em particular em São Paulo, ela assume tendências um tanto quanto sado-masoquistas, autofágicas e autodestruidoras,parece que ela quer se provar pior que o pior. Reprodução excludente, barata e clichê de Capitalismo. É a fusão de uma era de descontinuidade fragmentada com um pensamento que nunca quis se integrar, era único, independente, sempre teve mais à ver com as elites do exterior do que com uma idéia de país. Afinal, a culpa quando São Paulo não anda, ou é da incompetência dos nordestinos ou da roubalheira de Brasília. Não é mesmo?
De vez em quando acontece uma merda federal dessas.Morre gente.
E todo mundo se entreolha pensando: de quem ou, em quem vamos botar a culpa.
Mas para essa lógica dominante, alguém olha?

Fonte : Inspirado na reportagem deste mês da revista Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/edicoes/2007/01/428/autofagia-a-paulista
A Foto é de Victor Caivano / AP da mesma reportagem.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Prahalad: A Riqueza na base da Pirâmide


O mapa acima demonstra, por países (alguns faltam dados), a porcentagem de pessoas vivendo com menos de um dólar diário. Caso adicionassemos mais um dólar à esta medida, contaríamos, em números brutos, com 4 bilhões de pessoas vivendo com menos de 2 dólares diários.
Pobreza e desigualdade não são, obviamente, exclusivas do sistema capitalista. Entretanto, dentro deste sistema, estas mazelas crescem aceleradamente e tem sido o subproduto mais cruel do modelo hegemônico neoliberal de privatização global dos últimos 30 anos.

Observemos o gráfico de distribuição de atividade economica global abaixo:

Cada faixa horizontal representa 1/5 exatamente igual da população global, (aproximadamente 1,3 bilhões de pessoas). A figura em negro representa a díspare atividade econômica global. O quinto superior mantém em seu poder 82,7% do PIB mundial, 81,2% do comércio mundial, 94,6% dos empréstimos financeiros, 80,6% da poupança e 80,5% do investimento mundiais. No quinto inferior as porcentagens são 1,4%, 1,0%,0,2%,1,0% e 1,3% para os mesmos indicadores.
O Coeficiente de Gini (uma escala de 0 a 1 para medição de desigualdade, sendo 1 o coeficiente máximo de desigualdade) aponta os índices globais de 1960 (0,69) e 1989 (0,87). Atualmente, acredita-se que o coeficiente de Gini mundial deva estar na casa de 0,9. Desta maneira, apesar das ínumeras políticas, parece inantingível o primeiro dos objetivos do milênio propostos pela Nações Unidas para 2015: Reduzir pela metade a quantidade de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 por dia.
Coimbatore Krishnarao Prahalad, professor da Universidade de Michigan- Ross School of Business, acredita numa solução heterodoxa para o problema da pobreza mundial: O lucro.
É o que ele argumenta no seu último livro, publicado em 2004: -A riqueza na base da pirâmide, erradicando a pobreza através do lucro (Editora Bookman / Wharton School Publishing - Leitura recomendada!).
C.K. Prahalad não é um especialista em pobreza e desigualdade, entretanto é um dos maiores, senão o maior e mais respeitado especialista mundial em estratégia corporativa (sua enfâse é em mercados emergentes e inovação). Seu modelo de core-competences formulado em 1990 em conjunto com Gary Hamel, já se tornou, há muito, parte do status quo curricular das escolas de administração e das análises dos boards das grandes empresas. O modelo contrapõe-se ao modelo Porteriano das 5 forças(presente no livro Estratégia Competitiva) da suposta lenda viva da Harvard Business School.
Prahalad nasceu em Madras na Índia, o mais velho de 9 filhos de um juiz de sânscrito. Aos 19 foi administrador de uma fábrica local da Union Carbide. Depois de passar pelo IIMA (Instituto Indiano de Administração de Ahmedabad) , e por Harvard e estabeleceu-se posteriormente como Professor da Universidade de Michigan. Prahalad é o terceiro colocado na lista dos Thinkers 50 da Suntop Media, que elegeu em 2005 os mais importantes pensadores da administração mundial. Na frente dele estão Bill Gates e Michael Porter.
A teoria de Prahalad é extremamente instigante pois combina a lógica lucrativa e superexploradora do capitalismo (excludente e geradora de pobreza) e seu uso para a extinção da mesma, à meu ver, algo como a serpente comendo o própio rabo.
Prahalad propõe que empresas, governos e ongs parem de pensar em boa parte dos pobres como vítimas indefesas e comecem à pensar neles como empreendedores criativos e com tremenda capacidade de sobrevivência /resiliência. Eles são também consumidores exigentes que demandam valor agregado. Ele esclaresce que este é um mercado extremamente mal atendido, e que existem benefícios tremendos para multinacionais que escolherem servir estes mercados de uma maneira que atenda suas necessidades, criando modelos de negócios customizados e locais.

Um exemplo interessante que combina tecnologia e mercados da base da pirâmide, apresentado na The Economist em agosto de 2005, é o mercado crescente de microcrédito no Sul da Asia, em particular, na Índia. Com a tecnologia se tornando cada vez mais barata e presente, está economicamente viável e eficiente emprestar montantes de dinheiro(US$100) cada vez menores, para um número cada vez maior de pessoas com relativamente quase nenhum ativo fixo.
Outros exemplos de empreendedores da base da pirâmide podem ser vistos em Bombaim, São Paulo, Xangai ou em qualquer grande cidade do mundo emergente. São pessoas que ganham dinheiro vendendo porções unitárias de remédios, shampoos e produtos de higiene (as marcas são todas importadas como Lever,Colgate,etc..), pessoas que vendem ligações telefônicas unitárias de um mesmo cartão, gente que cobra centavos para passar folhas de fax, ou vendem acesso temporário à internet via um celular pré-pago. O importante são preços míseros, por produtos com qualidade. Operadoras de celular e planos de saúde indianos já pegaram o recado. Lá o minuto de celular custa 2 centavos de dólar e uma operação cardíaca de marcapasso custa US$1.500.
A teoria é extremamente interessante e possuí alta correlação com a realidade, entretanto, confesso me sentir mais confortável idealizando um caminho da erradicação de pobreza que considere os pobres como produtores e não como consumidores.
Entretanto, é possível que estes mercados sejam o único futuro das corporações multinacionais.

Fontes: www.wikipedia.org, www.thinkers50.com, http--www.uni-hohenheim.de-i490a-lectures-M5101-m5101_1.pdf ;http://www.unmillenniumproject.org/reports/;http://www.businessweek.com/magazine/content/06_04/b3968089.htm

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Belo Horizonte de tarde...


...
Fonte:http://www.flickr.com/ Foto by Implicitu

terça-feira, janeiro 09, 2007

Eu sou apaixonado pela Diane Keaton


Eu sou apaixonado pela Diane Keaton .Não entendo como todo homem não é.
Meu pai pode achar engraçadinha a Goldie Hawn, mas não dá comparar ela com a Diane Keaton.
Diane Keaton é uma das 10 melhores pessoas do mundo!
Eu sou apaixonado pela Diane Keaton.
Porque em 68 ela atuava no Hair na Broadway. E em 68, ela se recusou a interpretar sem roupa.
Porque como qualquer descendente de napolitanos não consigo esquecer a cena em que Kay revela a Michael Corleone o aborto intencional, em o Poderoso Chefão parte 2.
Porque Woddy Allen, quando a namorava, fez um filme dedicado à ela: Annie Hall (Noivo neurótico Noiva nervosa) em que ela ganhou o Oscar. Annie (apelido de Diane) e Hall é o ultimo nome de Diane Keaton Hall. Woody Allen explorou ao máximo a personalidade engraçada, ansiosa, auto-depreciativa, neurótica, muito inteligente, sensual e a joie de vivre de Diane.
Eu sou apaixonado pela Diane Keaton, Warren Beaty também já foi.
Em Reds, Beaty reservou-lhe o papel de Louise Bryant uma jornalista que larga o marido para viver com John Reed (Beaty) e cobrir o Revolução Russa.
Sou apaixonado por ela, pois ela fez um filme bobo nos anos 80, mas muito meigo, chamado Baby Boom, sobre uma executiva que se vê as voltas com uma bebêzinha.
Sou apaixonado pela Diane Keaton.
Porque ela é feminista de uma maneira que se perdeu nos 70's.
Porque ela se veste como se fosse um dândi do século XIX, com capotes, coletes coloridos, gravatas e fedora hats.
Porque ela anunciou publicamente em 2001 que desistiu de romances e do mito do amor romântico.
Porque nem vou falar de Alguém tem que ceder onde ela, para meu deleite, aparece nua.
Porque ela foi mãe adotiva aos 50.
Porque a L'oreal a escolheu para ser garota propaganda de 2006.
Porque ela é blogueira e escreve no blog político de oposição ao atual governo americano : The Huffington Post.

Mas principalmente porque linda, maravilhosa e no auge da carreira em 77, ela estrelou o filme que mais gosto dela: Looking for Mr. Goodbar (À procura de Mr. Goodbar).
Pra mim este é um filme que toda mulher devia ver.



Fonte: www.wikipedia.org

Burle Marx era paulistano, como se pode ver...

“Somos multidões de anônimos que não convivemos, mas confrontamo-nos diariamente, com cada vez maior agressividade, para conquistar um espaço para morar, para se locomover, para se divertir. E, para ter um pouco de paz, silêncio, tentamos ignorar os vizinhos, trancamo-nos em casulos. Não desfrutamos a vida urbana, sendo que há cada vez menos o que desfrutar.”
Burle-Marx

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Sessão Segundona

Look at all those fancy clothes
But these could keep us warm just like those
And what about your soul, is it cold?
Is it straight from the mold and ready to be sold?
And cars, and phones, and diamonds rings, bling bling
Those are only removable things
And what about your mind, does it shine?
Or are those things concerned you, more then you time?
Gone going, gone everything, gone give a damn
Gone, be the birds, when they don´t want to sing
Gone people, all awkward with their things, gone
Look at you out to make a deal
You try to be appealing but you lose your appeal
What about those shoes you´re in today, they´ll do no good
On the bridges you burnt along the way, oh...
You willing to sell anything, gone with your hurt
Leave your footprints, we´ll shame them with our words
Gone people, all careless and consumed, gone
Gone going, gone everything gone give a damn
Gone be the birds, when they don´t want to sing
Gone people, all awkward with their things, gone...

Gone
Jack Johnson

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Da Série: Amici mei


Sérgio, Padovan e Sazon.
Grandes amigos. No começo dos 90's, quando rodávamos tudo no mesmo carro a cumplicidade do nosso quarteto chegou à tomar ares de seita. Uma seita levemente profana talvez.
Nossa amizade, entretanto, é uma coisa bem séria pra mim.
Um Brinde à vcs tb.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

André Geraissati



Voltei pra BH ontem. De carro. Estrada vazia à tarde. As 8 horas inteiras fui ouvindo um cd do André que tenho e se chama Dagdad. Ouviria mais 8. E vendo a paisagem do sul de Minas, então...os morros, as casas, as vilas, a gente...
Mantras profundos e universais saem desse violeiro do sertão como se fosse um conversar com a noite estrelada na Fazenda. E sentados estamos no pé de uma árvore imensa.

Comece seu ano me fazendo um favor. Escute.

Música: Vento
Disco: Next
http://www.cafemusic.com.br/cd.cfm?album_id=37
e depois clique na setas à direita de info.

Ps: Ouça tb Fazenda(7989), Solitude(Dagdad) e todas.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Síndrome de final de ano


Só à custa de um bule de café preto e muito Lighthouse Family é que me meto a besta à escrever um post com um tema inóspito desses. É nestas horas sinto falta de ter um bicho andando pelo apartamento. Um gato talvez...
Todo dezembro a neurose é igual. Loucura judaico-cristã da culpa que a mercadologia de consumo aproveita e paradoxalmente todo mundo cai matando. Frustrações mil. Surpresas inesperadas e desagradáveis (Aquele parente vem mesmo?!.....), Egoísmos.Ofensas. Acidentes. Enganos. Todo mundo com os nervos à flor da pele.Talvez levemente contraditório com a mensagem padrão da época. Ah sem contar, que esse ano os caras ainda enforcam um diabo perto da virada, só pra contribuir com as energias positivas do universo.
Pra quê? Porquê tudo isso?
Atribuir e internalizar a noção de ruptura (ou como se prefere chamar: renovação) que foi designada ao fim de ano é uma coisa tão nociva e desconstrutiva que chega a dar medo. Quando se junta isso à era da descontinuidade atual, aí a coisa fica uma maravilha.
De um lado altera-se a nocão de tempo abruptamente como se fosse algo próximo à uma bomba relógio, uma contagem regressiva, o mesquinho:-o que vc fez este ano fez, o que não fez... E haja correria, para resolver tudo de última hora. De outro, estamos absurdamente cada vez mais longe do fazer, da experiência, do compartilhar, tudo que fazemos é revisitar, recriar, reaproveitar, repetir. Juntando esses dois dá essa insuperável época em matéria de frustração e recriações pobres sem imaginação.
Não queria mesmo falar disso. É uma hora rídicula para se ir contra tudo também. Bom, existe sempre alguém que se diverte pela gente (as crianças talvez)...
Na verdade o que me apetecia mesmo era escrever sobre noites de sábado. Noites que não se devia passar sozinho.
Fontes: A Foto é de Pascal Renoux http://www.pascalrenoux.com/. O texto é livremente inspirado num artigo de mesmo título de Christian Ingo Lenz Dunker da Revista Viver Mente e Cérebro deste mês.

domingo, dezembro 17, 2006

Que se vayan todos!


Era o que urrava a Argentina na Plaza de Mayo em 19 e 20 de dezembro de 2001, 5 anos atrás, horas antes da renúncia de Fernando de la Rúa. O cacerolazo continuaria ainda por mêses, com saques, depredações e mortos. A crise econômica e a instabilidade política também. Que se vayan todos era um grito unânime à toda classe política e ao Governo.
Em 1° de dezembro de 2001, para tentar deter uma corrida em massa da população que tencionava sacar seus depósitos em pesos para dolarizá-los ou ainda seus depósitos em dólares (o que era permitido), Domingo Cavallo, numa volta atrapalhada ao ministério da Economia(num episódio toma que o filho é teu!), decretou o "corralito", limitando os saques em pesos e impedindo os saques em dólares. Era o fim. Era um atestado de incompetência administrativa e de irresponsabilidade da dupla Menem- Cavallo, 10 anos no comando de uma política econômica que misturava a aplicação populista de um neo-liberalismo cego com clientelismo político e irresponsabilidade fiscal. O ato foi a gota dágua para a população.
A medida era inevitável. Uma fuga "escusa" de doláres ocorria há meses no país. Avisados com antecedência e sabedores da quebra do setor bancário argentino, as grandes empresas e os grandes correntistas já haviam na sua maioria retirado seus pesos e doláres do sistema. O currency board adotado anos antes pela Argentina para impressionar o mercado financeiro internacional era um sistema ultra-radical de câmbio fixo que ancorova o peso ao dólar com lastro fixado por lei nas reservas internas. (Pra se ter uma idéia apenas a Bulgária utiliza-o hoje em dia). As crises financeiras do México, da Ásia, Rússia e mais ainda a do Brasil, durante nos anos 90 afetaram severamente o fluxo de capitais e a competitividade cambial das exportações, minando as reservas. O currency board impedia ao mesmo tempo o aumento da base monetária via impressão de moeda e a criação de novos impostos. Com as despesas públicas (previdência e estados principalmente) e o défcit em conta corrente em descontrole, o jeito foi criar títulos da dívida e precatórios numa atitude de rolagem que só a fez crescer furiosamente.
Como boa parte da América Latina, seja em maior ou menor grau, a Argentina resolveu o problema da Hiperinflação da década de 80 com medidas preconizadas pelo Consenso de Washington (as diretrizes ideológicas do FMI e Banco Mundial, para a América Latina nos 90) à saber: privatizações, desregulamentação e financiamento do crescimento com capital externo.
Entretanto, também como em boa parte da América Latina, a equação não resolveu o problema do desemprego, da dívida pública e do crescimento. Assim como no Brasil, o montante angariado pelas privatizações não foi suficiente para estabilizar, neutralizar ou ainda conter a dívida pública, boa parte dela em dólar no caso argentino. O fator juros altos, utilizado sempre para atrair capital externo e agora turbinado pela crescente emissão de novos títulos foram obviamente, o multiplicador vil desta equação. O capital gerado pelas privatizações, esvaiu-se pelo ralo, em acordos, favores políticos e clientelismos junto as províncias (estados) e municípios e outras particularidades institucionais e morais latino-americanas.
O resultado foi que em dezembro de 2001, antes mesmo que o Governo conseguisse pagar os serviços da dívida com o que restava de reservas internas e de dólares no mercado, o país quebrou.
De junho de 2001 para agosto 2002 o PIB Argentino caiu 16%! O PIB per capita que era de US$ 7.170 passou para a casa de US$ 4.000. As cantinas das escolas secundárias eram mantidas abertas diariamente pois as crianças desmaiavam de fome e 20% delas não conseguiam ter uma alimentação diária básica. A água substituiu o desinfetante e o talco substituia o desodorante no quesito higiene pessoal. De dezembro de 2001 (época do corralito) à janeiro de 2002 houve um acréscimo de 20 mil pessoas mortas em decorrência de problemas cardíacos nos hospitais.
Dos 35 milhões de argentinos em 2002 , 19 milhões encontravam-se abaixo da linha de pobreza, (com renda mensal inferior a R$600). Destes, 60% vinham da classe média nos últimos 3 ou 4 anos."São pobres que mantêm certas características, sobretudo culturais e educativas, que não são próprias dos pobres. É gente que vive objetivamente em situação de pobreza, mas que tem sistemas de vida, expectativas e visões que não são próprias do universo da pobreza", dizia uma socióloga da Universidade de Buenos Aires.
No período de 2003 à 2006 o PIB argentino recuperou-se de maneira rápida considerada a gravidade.
Entretanto, as consequências desta crise conseguirão afetar por inteiro o futuro de uma ou mais gerações.
Foi um preço alto demais à pagar.